sábado, 2 de abril de 2022

O Grande moinho de vento


Observando com os olhos da razão as últimas agitações na mídia e nas redes, poderíamos ser levados a pensar que o Brasil está numa espécie de conflagração ideológica. O Presidente da República, do alto de sua moral de filho do centrão, declarou guerra às urnas eletrônicas. As batalhas, por enquanto, têm lugar no mundo das ideias e no universo da infosfera, mas esperamos de coração que isso se desmanche no ar, pois as piores guerras são as guerras santas, as que têm um motivo “justo”, e  ‒ na moda de hoje ‒ aquelas feitas “em nome da democracia”. Mas, toda guerra tem algum lucro para quem a provoca, e quase nenhum para os idiotas úteis que pegam em armas.

O novo moinho de vento de Bolsonaro se chama “voto impresso”. Já houve vários: kit gay, cloroquina, ameaça comunista, armamentismo. Todas podem ser pautas populares legítimas, mas ele as sequestrou e fez delas seu pobre “capital” político. Sem dúvida que o cidadão comum, caso queira, deveria ter direito a auditar um ato seu que interfira na sua própria vida. Mas, esta é uma pauta tão legitimamente bolsonarista quanto a estratosfera é exclusividade dos tucanos. Novamente ressaltamos aqui o estofo moral do Presidente, ao detectar que ele não se rebelou contra o “sistema” em 2018, mas esperou ser eleito pela mesma urna que agora ataca, e tão logo sua governança destrambelhou, tirou essa “carta” da manga. Isso é administração ou bingo de quermesse?… Voto de papelzinho deveria ser a última coisa na lista de prioridades de um governo em apuros, e ainda mais de um povo combalido moralmente e arrasado materialmente pela peste chinesa. Já são milhões de desempregados, muitas empresas dando as costas ao País, e nós declaramos guerra ao império da razão, insurgindo-nos contra a cortina de fumaça bolsonarista da urna eletrônica.

Qual é o graal dessa jihad política? Um pedacinho de papel ordinário, que vai atestar para todos os fins (insondáveis, por sinal) a qual cangaceiro de gravata delegaremos o poder de nos tapear pelos próximos quatro anos. A primeira dúvida que nos vêm à cachola é quão “democrática” é a nossa democracia, a ponto de nos preocuparmos tanto com um pedaço de papel… Ela é tão democrática quanto é democrático o voto obrigatório? A nossa democracia é fruto de um golpe (antidemocrático) dado por um general cabrão, que abominava o povo como quem prefere cheiro de cavalo. Nossa democracia é a mesma que exilou o último filho ilustre, único imperador dessa terra ingrata, ao qual sobejava cultura e amor pelo País (coisa inexistente em quase todos os seus sucessores). Brigamos no Twitter ou nos fantasiamos pelas ruas aos gritos em defesa dessa democracia que, desde o ninho de onde foi parida, sempre foi uma oligarquia, sempre foi uma farsa costurada por jagunços de algibeira, ora café com leite, ora leite com café. Uma democracia que pouco tem de demos, mas muito tem de daemon.

 O Estado democrático pode ser tão invasivo e violento quanto qualquer outro, e como não temos uma sociedade alternativa, a democracia carece de válvulas de escape. Uma delas é o accountability, isto é, a capacidade de prestar contas. Quanto mais transparente aos olhos do povo, mais democrática é a democracia. Mas não se assanhe o leitor, essa transparência é fosca e o vidro está sujo. Queremos o papelzinho exatamente porque somos cidadãos de papel, filhos bastardos de um país de papel. Também porque não temos memória, porque não temos raízes profundas, porque nossa nação não foi resultado de uma fundação sólida, e vivemos repetidamente ‒ já fizemos isso antes ‒ sendo arrastados feito zumbis para a dimensão perigosa do culto à personalidade. E que personalidade…

Terminamos com o pé esquerdo. A culpa não é exclusivamente do Bolsonaro, é do PT também. Sejamos sinceros, nunca este país foi bem governado, mas depois que o proletariado petista subiu a rampa do Planalto e decidiu pegar a chave do cofre, a coisa degringolou de vez. De lá para cá, conduzir os destinos políticos da nação tornou-se mais do que tudo um espetáculo. Já não é necessário pão e circo, a fúria é suficiente, o pão a gente vê depois. Bolsonaro está seguindo a política do “quanto pior melhor” e do “quero ver o circo pegar fogo”, não só por que ele faz disso a sua yoga. Essa bêbada dança do sabre é a segunda temporada de um continuum esquerdista. Lula e sua trupe (des)governou pela cleptocracia. Bolsonaro governa (ou o que quer que seja isso que ele está fazendo), como fez Nero, pela  ignocracia.

Ao descobrirem as atrocidades de governos ditatoriais, uma das primeiras perguntas que as pessoas fazem é: “como o povo pôde permitir e ainda colaborar com elas?” Mas não se pode voltar no tempo, e mesmo as testemunhas oculares têm seus pontos cegos… As ditaduras consentidas são um primeiro passo para os regimes de exceção, e elas começam não por absurdos etnocêntricos ou apostasias escandalosas. Começam com pautas democráticas, palavras vazias, mas doces aos nossos ouvidos famintos. Quem pode ser contra Deus e armas? Quem pode ser contra família e pátria!? Afinal, quem pode ser contra o voto impresso!? E, por fim, quem não reza pela cartilha tresloucada do “mito” está contra nós? Bons tempos em que o Brasil era um país bem humorado que não se levava a sério e o candidato mais bem votado era o macaco Tião…


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quarta-feira, 30 de março de 2022

O Grande Amigo de Deus



O Grande Amigo de Deus

Taylor Caldwell

Há vinte anos li "Médico de homens e de almas", de Taylor Caldwell. Ótima a biografia romanceada de São Lucas. O Grande... é a mesma coisa.

Poderia ser um livro inspirado pelo Alto? Sim. Nem todos os escritores são tecnicamente "canais" de informações supramentais, entendidas como aquelas contidas nos arquivos interiores, suprafísicos da história da humanidade. Pode ser apenas a obra de uma meticulosa pesquisadora e hábil escritora? Também pode. Mas, lendo superficialmente a vida de TC, (coisa que agora é bem mais fácil de fazer do que em 1999!) descobri que ela "escreveu sua primeira novela, O Romance de Atlântida, aos 12 anos". Claro que isso não prova nada - muitos artistas são precoces - mas a força autêntica que reside em sua narrativa me leva a conjeturar um caso de conexão, talvez inconsciente, mas direta, com a verdadeira biografia de Paulo de Tarso.

Os que são amantes da literatura meramente romanesca certamente aprovarão o livro. É muito bom. Os que (como eu) procuram na vida dos Santos uma pista do que os tornou santos também vão apreciá-lo.

É a história de um ser humano corajoso, humilde (naquele sentido pouco usual da palavra), ao mesmo tempo fraco (e reconhecedor de sua fraqueza), que levanta quantas vezes for preciso para executar da melhor forma sua missão.

Diz-se que o Cristianismo na verdade é um Paulismo travestido. Se a história contada neste livro for próxima da verdade, talvez se possa especular que tenham existido outros atravessadores (intérpretes, etc.) da Doutrina original do Cristo além do Leão de Deus.

Gelo seco


O Espírito Militar

Celso Castro

sexta-feira, 25 de março de 2022

Não basta enfiar a faca, é preciso rodar

 “[O general] deve ser capaz de iludir seus oficiais e soldados por meio de relatórios e apresentações falsas e, assim, mantê-los em total ignorância.”

A Arte da guerra, de Sun Tzu



Uma das sutilezas da vida dita civilizada é poder-se matar um sujeito a crédito. Para esta modalidade de crime praticamente não há tipificação penal. Pode-se levar anos a consumar o fato. Mata-se lentamente ‒ como dito, às prestações, aos poucos. Como as tecnologias atuais dão voz a praticamente todos, é possível exercer esse tipo de esporte nefasto mesmo à distância. Com uma conexão de internet fazendo o papel de arco e muitas palavras vagas e cálculos controversos fazendo papel de flechas é possível espicaçar o alvo e atormentá-lo por raiva ou indignação, e ainda posar de bom moço. Ironia e deboche são as setas mais eficazes e certeiras. São delicados requintes de tortura pós-modernos que substituem (não perfeitamente, pois perfeito só Deus!) a gana real que os assassinos de reputação têm de exterminar, extirpar da vida social, em uma palavra feia, “matar” aqueles dos quais, por enquanto, só podem debochar e tripudiar.

Há alguns meses, em uma audiência no Congresso Nacional, um deputado questionou o comandante da Força Aérea sobre o fato de a Lei nº 13.954/19 ter “deixado soldados para trás”. Esta Lei foi promulgada sem vacilação por Jair Bolsonaro, apesar de ele saber dos prejuízos que adviriam dela. A resposta ao deputado foi que ele, o deputado, estaria enganado, que os militares da Lacuna 2001-2019 ‒ que só na FAB são no mínimo vinte mil ‒ não foram deixados para trás, e que esse “sentimento” do deputado não seria verdadeiro. O que não é verdadeiro só pode ser uma mentira. Se o deputado mente, é lá com ele. Não seria o primeiro nem o último político a mentir… Já o comandante militar, por seu turno, afirmou ter responsabilidade por “suas” tantas outras dezenas de milhares de militares, e que tal alegação do deputado seria, além de mentirosa (o que não é verdade, só pode ser mentira!), “perigosa”. Mas vinte mil militares sabidamente varridos para debaixo do tapete pelo Governo (em sua maioria eleitores de primeira hora do Presidente) não teriam condições mentais de aferir os próprios sentimentos? Estariam todos esses homens e mulheres sofrendo de alucinação coletiva? Teriam perdido a capacidade de fazer simples comparações matemáticas em suas folhas de pagamento? Isto certamente não é verdadeiro…

Mais recentemente o comandante da Marinha do Brasil deu declarações bastante objetivas sobre a reestruturação da carreira das Forças Armadas. Afirmou com toda convicção que os suboficiais teriam tido vantagens financeiras mais consideráveis, percentualmente maiores do que os oficiais. O almirante estava no seu ambiente controlado, não havia interlocução séria nem muito menos alguém para lhe contradizer. Sabemos que isso é normal no militarismo. Por outro lado, no mundo real, os comentários nas redes sociais de militares foram em geral de tom irônico, para dizer o mínimo. Alguns até já estão saindo em defesa do comandante, o que é compreensível, pois o assunto é tão intrincado, a Lei nº 13.954/19 foi tão mal costurada e seus efeitos são tão inéditos e danosos, que é realmente temerário tentar contrapor as palavras ditas na entrevista simplesmente usando números frios.

Mas algo de muito revelador jaz nas entrelinhas desses dois episódios. Um princípio, uma ideia subjacente, como um pensamento diretor que jamais é convertido em palavras, mas que conduz e delimita esses discursos, essas falas tão desconectadas da realidade. Todos estamos mais do que carecas de saber que os militares que se aposentaram entre 2001 e 2019 foram desprezados pelo governo. Este exército invisível de homens e mulheres é uma pedra no salto alto da cúpula militar. Lá em 2019, quando os veteranos da Lacuna foram rotulados pelos generais políticos como “retrovisores”, “incompetentes e preguiçosos”, os ofensores não agiram assim pelo calor do momento.

Não eram simples ofensas. Aquele tratamento aparentemente passional na verdade era fruto de estratégia. Fazia parte do mito justificador de uma lei de exclusão, de uma lei elitista que, aos olhos míopes do parlamento, fazia justiça aos militares da ativa ao mesmo tempo em que punia os veteranos “desinteressados na carreira”. Hoje, dois anos após essa fábula ter sido encenada, o descaso do governo somado à negação dos comandantes militares também não são atos desconexos e isolados, mas fazem parte da sedimentação do mito criado em torno da meritocracia, que pretende justificar a ruptura radical inaugurada pelo governo Bolsonaro.

A reserva militar não é uma aposentadoria. Não é um depósito de encostados. A reserva é um seguimento venerável e lógico do militar fardado. A farsa da meritocracia rompeu esse fio. Houve sim quebra de hierarquia. Houve sim afronta à disciplina. E estes dois pilares deveriam ser o código genético de todos os militares, sem exceção, não sós de alguns escolhidos. Mas já está estabelecido que no militarismo brasileiro pós-Bolsonaro, o antigo lema “antiguidade é posto” é artigo de museu. A imprensa especializada já sabe que um general recebeu até agora cinco mil reais a mais, enquanto um cabo recebeu três reais. Ambos na reserva. Quem é o oportunista!?

A verdade é que admitir que existe a Lacuna 2001-2019, admitir que as pensionistas foram roubadas pelo Governo, seria admitir que a Lei foi um erro, que o Presidente errou, que meia dúzia de generais, almirantes e brigadeiros erraram e que vinte mil militares incômodos estão certos. Então é preciso negar a realidade. É preciso moldar os números. É preciso caluniar, chamar de oportunista, de comunista. É preciso debochar e tripudiar, vencer pelo desprezo, até que o último veterano lacunado tenha passado desta para melhor, e o assunto esteja morto e enterrado. Enfim, não basta enfiar a faca, é preciso rodar.

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O Advogado do diabo e o Comando dos sargentos

"Nunca houve no Exército, e com ele é incompatível, essa ideia de classe no sentido moderno (sindical) de se contraporem umas às outras em busca de benefícios exclusivos. E é claríssima a nocividade de tais criações esdrúxulas nas classes armadas.”    

Pedro Aurélio de Góes Monteiro, general-de-exército e político brasileiro

“Guerra irrestrita”, o Mein Kampf do PCC


Unrestricted WarfareQiao Liang...

ISBN-13: 9780971680722
ISBN-10: 0971680728
Ano: 1999 / Páginas: 208
Idioma: inglês 
Editora: People's Liberation Army


No atual bombardeio de informações e desinformações que nos atinge é quase impossível manter a mesma opinião por mais de três minutos. Mas uma coisa é certa. A História é uma ciência que tem muitos pontos cegos, portanto só pode ser bem analisada em retrospectiva. É temerário pintar um quadro exato da paisagem enquanto o trem está em movimento.

Há quem diga que o flagelo nacional-socialista alemão fora todo ele previsto no libelo autobiográfico de Adolf Hitler, o livro “Mein Kampf”. É verdade. Descontados os paroxismos de ódio e os delírios megalomaníacos, está tudo lá. As anexações; o Lebensraum (espaço vital); o holocausto judeu. Um ideário torpe, ainda em embrião, mas que se concretizou da forma mais macabra possível.

Falando em livros proféticos… há um escrito em 1999 por dois coronéis do Exército chinês, (Qiao Liang e Wang Xiangsui) que parece se enquadrar nessa categoria.

É sabido que a China está em guerra comercial com os EUA. Isso não prova definitivamente que haja um escalonamento desse novo tipo de violência, isto é, não se pode provar que o PCC declarou guerra ao mundo livre. Mas, se a nação mais rica do planeta está sendo atacada, é inquestionável que isso venha a afetar pelo menos grande parte do ocidente. O ato falho nesse raciocínio, e aí entra a “Guerra Irrestrita”, é achar que uma guerra hoje em dia seria conduzida nos moldes convencionais. Uma guerra comercial pode não ser noticiada pela mídia nos primeiros meses de “embate” entre os envolvidos. Estes, por sua vez, não são tão facilmente nomeáveis. Os tratados de comum acordo, as áreas de livre comércio, as uniões geopolíticas locais transformam o tabuleiro da guerra “normal” numa gigantesca estrutura feita de dominós, frágeis e prontos a cair ao menor aumento do barril de petróleo.

E quem pode afirmar que uma suposta guerra comercial não seria apenas uma frente isolada num teatro de operações muito, mas muito mais vasto e surpreendente?

Eis algumas “profecias” da “Guerra irrestrita”:

“(...) a guerra renascerá sob outro formato (...) tornando-se um instrumento de enorme poder nas mãos dos que nutrem a intenção de controlar outros países e regiões.”

“(...) enquanto presenciamos uma relativa redução na violência militar, estamos evidenciando, definitivamente, um aumento na violência política, econômica e tecnológica.”

“Desta forma, a indução de um colapso de um mercado acionário, a contaminação de uma rede de computadores por um vírus, um rumor ou escândalo que resulte na flutuação do câmbio ou, a exposição comprometedora de líderes de um país, constituem ações que podem ser enquadradas como “armas neoconcepcionais.”

“(...) tem havido o desenvolvimento de meios para atacar direta e especificamente um centro nervoso de um inimigo, sem danificar as áreas circundantes. Desta forma têm-se novas opções para obtenção da vitória, gerando a crença de que a melhor forma de se obter a vitória é através de um maior exercício de controle e não através da imposição da morte.”

“Até mesmo o último refúgio da raça humana — o mundo interior do ser humano — não está livre dos ataques da guerra psicológica.”

O que estamos vivendo neste 2020, se não uma guerra psicológica!?

E aqui um aviso temporão aos nossos comandantes militares sobre recursos materiais e humanos:

“(...) algumas nações com visão prospectiva, ao invés de única e simplesmente priorizarem os cortes de efetivos, estão enfatizando: a elevação da qualificação técnica do seu pessoal; o incremento do nível de tecnologia avançada e semi-avançada incorporada ao seu armamento; e a atualização do pensamento militar e doutrinário.”

Bem, aqui parece que o Brasil está na crista da onda, mesmo que involuntariamente, já que a evasão causada pelo achatamento dos salários iniciada nos anos noventa da década passada e levada adiante pelo atual governo, diminuiu bastante os efetivos militares.

O PCC está deixando o mundo de joelhos. Há os que se recusam a ver isso. Há as mídias literalmente compradas pelo Partido que se recusam a noticiar isso. Mascaradas e papagaiando estatísticas suspeitas, aterrorizam-nos diuturnamente com a “guerra contra o vírus”. Lembram-se da “guerra contra o terror” dos anos 2000? Aonde aquilo nos levou!? Isso, ao Iraque. Mesma tática, diferentes atores.

Sobre isso, o que diz a “Guerra irrestrita”:

“Poderia a compra ou obtenção do controle de ações ser usada para transformar os jornais e as cadeias de televisão de uma outra nação como instrumentos de uma guerra da mídia?”

E para os românticos aficcionados da guerra tradicional, homem a homem, o Ministro da Guerra francês na primeira grande guerra Georges Clemenceau, no início do século XX, declarou que “a guerra é um assunto muito sério para ser deixado a cargo dos generais”. Citado pelos coronéis chineses: “uma coisa é certa: os militares não detêm mais o monopólio da prática da guerra.”

Para os que dão um risinho superior e debocham quando alguém usa o termo “comunismo”, eis um aviso que deveria estar nos manuais das academias militares (ops, esqueci-me de que a pedagogia militar positivista é superior às ideologias!!):

“(...) Os legislativos de nações que adotam o modelo representativo de governo não podem evitar o envolvimento por parte dos grupos de “lobby”.

Enfim, o livro é um áugure moderno do que ocorre hoje, diante dos nossos olhos.

Só não ver quem não quer.

quinta-feira, 24 de março de 2022

Falsa falsa aurora

Falsa Aurora - A iniciativa das Religiões Unidas, o globalismo e a busca por uma religião mundialLee PennISBN-10: 859507108X Ano: 2020 / Páginas: 771 Editora: Vide Editorial

Lee Penn é cristão ortodoxo. Não aceita a reencarnação. Não se pode coligir ensinamento esotérico com o que a religião sectária e exotérica prega, se não se leva em conta a reencarnação. Como a maioria delas nega a metempsicose, fica tudo uma confusão superficial. Não se dá um passo. É como a cobra engolindo o próprio rabo.

As suspeitas que ele lança sobre a corrida da URI pelo poder podem até ser verdadeiras, mas não acho que uma religião universal vá ser inventada pelo homem. Isso talvez até ocorra, mas daqui a um “zilhão” de anos, e deve ser uma síntese, não um sincretismo bobo do jeito que ele imagina. Um mais um igual a dois. Um frankenstein pseudoespiritual.

Há informações interessantes no livro, mas quando ele se mete a entendido em Blavatsky e Alice Bailey, a coisa fica chué mesmo. Ele simplesmente não menciona a chave para encaixar tudo o que essas “escritoras” deixaram com o cristianismo. A reencarnação dos espíritos, ou “egos”, como HPB chamava na DS. O que AB e HPB chamam de "raça" não tem o mesmo significado que a etnologia emprega.

É claro como água que, se os livros religiosos não foram totalmente manipulados, pelo menos grande parte foi. Tentar achar a saída disso, e ainda lançar a culpa dessa confusão na URI, cheira mais a um ataque tolo de quem vê o materialismo a cada dia mais esvaziar as igrejas. Mas isso não é por causa da URI. A “culpa” é dos próprios “donos” das fés, que podaram as grandes árvores das religiões, que agora não conseguem fornecer sombra suficiente para o rebanho em debandada. Esse rebanho pede respostas. Corre para a ciência, que também está em crise. A URI, com o seu sincretismo, atrai alguns, os mais superficiais. Mas não todos.